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10 de fev. de 2012

Um conto

Quatro anos se passaram. Passaram também a primavera, o verão.

Ele, imerso em seus escritos, um intelectual ocupado com coisas importantes. As palavras se tornaram cifras e as cifras, o seu tempo. Ele se dedica a elas, tem prazer nelas. Uma prazer quase que físico, libidinoso. As palavras fazem por ele o que um beijo não poderia mais fazer.

Ela, absorta em pensamentos, em fugas, alimenta-se da ilusão e, acostumada ao confinamento e à prisão sem grades, suspirando profundamente, conclui:

- Ahhhhhhhh... Sabe aquelas primeiras semanas de início de namoro com aquele romance...? Pois é... :(


Moral da história: Vinícius de Moraes que o diga!

1 de fev. de 2012




Há momentos-chaves na vida em que você precisa, simmplesmente, dizer "COM LICENÇA, eu gosto mais de mim" e abrir a porta e passar.

English version:

There are key moments in life when you just have to say: "EXCUSE ME, I love myself more", and open the door, and get out.

12 de out. de 2011


Às vezes, me sinto amarga
Às vezes, estou entalada
E então te quero vazio
Insípido, inodoro, inoperante

Te quero distante

Inexistente
Fagulha morta
Fresta fechada
Sem fogo
Sem água
Inerte
Mortal
Passageiro

Um trema entrelinhas

Cidade fantasma
Voz inaudível
E sufocada

Morrendo...

Morren...
Morre...
Mor...
M...

No vazio dessa plenitude amarga...




[                                 ]

 

9 de jul. de 2011

Recado no post it

Vou ali e já volto. Vou só no mercado fazer umas comprinhas... Aliás, você sabe onde anda minha vontade? Eu costumava guardar dentro do meu riso? Deixei em algum lugar e não consigo lembrar onde... Se achar, me liga! Ou então vou ter de comprar de novo...

6 de jul. de 2011

Headache

It's the kind of pain that says I feel rejected
It's the kind of pain that says how I miss to be passionately loved
It's the kind of pain that says how frozen future is
It's the kind of pain that keeps screaming "I miss it"
It's the kind of pain that fakes a smile
It's the kind of pain that stings the stomach
It's the kind of pain that echoes in the air
It's the kind of pain that doesn't have to last.

5 de jul. de 2011

Intervalo

Time's up! Pelo menos para o cérebro. Chega uma hora que "já deu", a mente cansa, as palavras se atropelam e os olhos dançam para todas as direções possíveis no afã de fugir de qualquer coisa mais difícil de processar. Daí, toca uma campanhia dizendo "hora da pausa"... É isso. Ócio lá vamos nós! Au revoir.

23 de abr. de 2011

Mais um pedaço de caminho

Uma vontade que cala
Uma tristeza que quer andar sozinha
E silencia

Espaços antes navegados
Incompreendidos
Difusos
Permitidos

Como a esperar em um saguão
Como a tatear em mata cerrada
Como a ouvir o rugido do leão

E dorme...
Anestesiada pela condição
Absorta na imensidão do vácuo
De sonhos vencidos, derrotados

De portas entreabertas
De vontades de ser
De satisfazer
Ou sucumbir

Como a cantar salmos na lira soturna
E refazer os caminhos que levam
Novamente
Em movimentos contínuos, teimosos
Em contrição e reconhecimento
Domar os acontecimentos
Render-se à Soberania
E confortar-se nos braços do Pai

Uma tristeza caminha sozinha...

11 de abr. de 2011

Knock knock

If you knock on my door
I'm not in
If you come to my old places
I'm not in
If you collapse in the middle of the street
I'm not in
If you find travelling in time the greatest fantasy ever
I'm not in
Even if you love the most "lovable" thing in the world
I'm not in
And if you come to find out the most stupid act of yours
I'm not in
Here, there, anytime
Or maybe just for now...
I'm NOT a tiny little bit of myself in

22 de ago. de 2010

Vento Oriental

Não tenho lugar, nem quem
As paredes que me abrigam
Estas mesmas paredes
De gelo, de cinza, de ferro
Me contém

Os sons que invadem meus ouvidos
Não sei quais são
O olhar, o rosto amigo
Fizeram-se dispersão

Tudo vento, tudo areia
As formas que antes desenhei
O mar desfez
Tornou-se lama
Fez-se pó
Trouxe o vento
Ilusão

2 de ago. de 2010

Tempo e Espaço



Céu cinzento de outono - Conquista, BA

Enquanto penso no começo deste post, estou ouvindo ao vivo a transmissão do encerramento do Festival de Campos do Jordão. A página em branco é sempre um dilema pra quem escreve... Seja escritor, seja... "escriba" rs.

Comecei pelo título porque estes dois conceitos - tempo e espaço - têm flutuado em minha cabeça desde que cheguei ao Sul da Bahia, na cidade de Vitória da Conquista (ou Conquista, como é conhecida aqui). Explico.

Sempre que ouvia algo sobre a Bahia, a referência era sempre a do recôncavo... Salvador, praia, batuque, água de coco e acarajé. Sim. Há acarajé na Bahia (não só no litoral!), há água de coco, dentre outras coisas. Mas a percepção de um lugar sempre muda com a convivência nesse lugar (ou deveria rsss).

No filme, "O céu que nos protege", de Bertolucci, apresentam-se através das personagens a figura do viajante e do turista. O turista como sendo aquele que chega com o seu tempo determinado: ele viaja para conhecer e nada mais. Vai e volta. Leva consigo pra onde quer que vá suas referências e não abre mão delas. Para ele, não há diálogo, há estranheza, há o exótico. Tão logo ele saia dali, descarta a maioria das coisas que viveu. Por outro lado, o viajante abre-se para novos conhecimentos, para a troca. Suas referências lhe pertencem e ele tem pátria. Ao mesmo tempo, ele não teme o desconhecido e o mergulho no "outro". Ele dialoga, troca, interage e mergulha.

Infelizmente, no meu período mais frutífero em viagens (infância), eu não dominava os conhecimentos que domino hoje. Mas... Uma grande vantagem eu levava: a disposição para aprender, trocar. A curiosidade pueril.

A essa altura, você deve estar se perguntando: "Mas onde entra o tempo e o espaço nisso tudo??". É simples: categorias, entidades (como queira chamar, não estudei a ponto de defini-las), o fato é que estou com sérias desconfianças de que esses dois conceitos são chaves para se compreender uma outra cultura. As atividades sociais, eventos culturais, o cotidiano e tantas outras coisas que poderia enumerar acontecem tomando por base o tempo e o espaço. Talvez isto fique mais evidente quando se sai de uma metrópole como Rio de Janeiro/ São Paulo e se chegue a uma cidade de, aproximadamente, 318.000 habitantes. Toda a sua referência muda. As distâncias já não são tão excludentes, o tempo aproxima, sair para vários lugares no mesmo dia é permitido e, pra mim, o mais curiosamente estranho: encontrar sempre alguém quando se põe o pé fora de casa.

A partir daí, desse outro "tempo" e "espaço", todas as outras coisas se configuram: lojas que fecham durante o almoço. Lojas que abrem só no período da tarde, empregada que falta porque a tia da cunhada do primo precisa de alguém pra olhar o cachorro que está doente. Em suma, é TODA uma estrutura que se desenvolve sobre estes dois pilares: TEMPO/ ESPAÇO. E, ao que tudo indica, compreendendo-se estas relações (de como esse tempo e espaço determinam uma dada comunidade), conseguimos compreender também um pouquinho melhor aquilo que pra nós é exótico e estranho no outro.

É isso. Esses dois conceitos dão muito pano pra manga... Mas tenho também o meu "tempo interno" rs. Esse não é do interior. Esse é o da metrópole e está, no momento, me lembrando que preciso agora me dedicar a outras coisas. Não antes sem deixar aqui um exemplo do que disse. Uma das coisas que desde o início mais chamou a minha atenção em Conquista: a distância da terra para o céu. Portanto, espaço.

24 de jun. de 2010

O cérebro de Gil

Realmente não pensei de atualizar o blog hoje. Na verdade, quando retomei minhas "escrivinhanças" (obrigada M. por me emprestar o nome!), pensei no seguinte, vou atualizar numa média de 3 a 6 dias para manter vivo em mim o exercício da escrita. Mas... Reflexões, ideias, pensamentos, descargas não têm hora pra acontecer. E hoje, era de web 2.0, forço-me a, pelo menos, um rabiscos, umas palavras-chaves no meu celular para desenvolvê-las depois ou... Quando a situação permite, uma gravação mp3 quentinha com as ideias que estão tilintando na cachola na hora. HOJE, podemos fazer isso.

Ocorre que... Acabo de retornar de um workshop (pra mim, palestra) sobre "Estruturas inovadores em mídias sociais" ou nome bastante similar (meu cérebro costuma guardar cada vez menos coisas na medida em que meu notebook armazena mais) e... Lancei-me a escarafunchar uma ideia, um pensamento que está ainda um tanto amorfo... Como aquela massinha que brincávamos quando éramos crianças (na minha época brincávamos muito com coisas palpáveis)... Esse pensamento que me remete à pessoas... Ponho-me a refletir e a inquirir sobre o lugar do sentimento humano nessas diversas tramas de mundos digitais.

Deixamos de ser "humanos"? Jamais, penso eu. Nossas paixões talvez não tenham ganho com tanta intensidade, com tanta volúpia uma proporção tão grande. Hoje eu posso escrever em uma ferramenta e ter o privilégio de compartilhar reflexões, paixões com... Todos aqueles que são capazes de falar o mesmo idioma em que escrevo e se identificar com meus pensamentos. Mas... Aí é que está. O que incomoda, a mim, pelo menos... Nem todos. Há uma gama enoooooooorme (perdoem-me os que deteeeeeestam eeeeeeesse recuuuuuuuurso, eu adoro! haha) de pessoas que não se encontram tão frequentemente nestes "mundos virtuais" nem tampouco se encontrarão por aqui... Há todo um universo de paixões e humanidades a ser descoberto que o espaço virtual ignora... E o ignora por uma questão social (além de outras possibilidades). Penso, por exemplo, naquele que poderia ser um ótimo desenvolvedor de jogos, sua paixão seria criar histórias para games e outros jogos online, mas... Como dizer... Ele nem teria como saber dessa possibilidade, pois não conhece tais mundos.

Por outro lado, o homem sempre se redescobre, se reinventa. Uma máquina não cria suas possibilidades... Nós, homens, as criamos. E são possibilidades que precisam caber em nossas previsões, por isso são falhas, inexatas rs. Somos humanos! Somos seres apaixonados e apaixonantes!*

Onde isso tudo me leva? A pensar... Não posso me programar a atualizar este espaço em um intervalo de 3-6 dias. Eu não sou "programável"! Sinto fome em horários regulares se assim como, desintoxico-me fisiologicamente se assim me habituo, mas... Uma frase, uma pintura totalmente diferente do que eu normalmente considero bom me provoca um certo desprazer estético e então... Coloca-se todo um padrão por água abaixo. Quem já não se pegou dando um "presente errado" pra alguém próximo?

O cérebro de Gil já deixou de ser somente "eletrônico" há muito tempo. Mas...  Ainda somos os mesmos a ligar e a desligar. E essa é a minha hora: @lazzarus offline.



*Note que os derivados de "paixão" aqui nada tem a ver com um tipo de amor, mas com sofrimentos, sentimentos, uma "impressão viva".

21 de jun. de 2010

Do título

Permitindo-me a um "autoplágio" para fazer saber porque habito no "melhor dos mundos":


"Você, leitor, que está nesse exato momento se perguntando:
Por que esse título?
São tantas as respostas que ponho à prova minha capacidade de sintetizar o pensamento... As idéias.
E... Penso... Penso... Por onde começo?
Ah, já sei!
Alguns reconhecerão clara e oportunamente a influência de Monsieur Voltaire.
Sim! Monsieur Voltaire e seu Cândido protagonista que via em todos os lugares, apesar de todas as desgraças e dissabores, o melhor dos mundos.
Sim: o melhor dos mundos. E... Viva Midnight Oil que também lembrou da referência: o melhor dos mundos!
Vivas também para Roberto Jefferson e o brazuca que não se importa em ficar sem os míseros R$ 0,01 de troco!

Viva os milhões de idiotas e imbecis que deixaram a Claro (isso mesmo, a do celular “claro que você tem mais”), a Telemar e tantas outras “concessionárias de serviços públicos” entupirem nossas cabeças de dores!
Viva o “o jeitinho brasileiro” que nos permite dormir tranqüilos com tanta sacanagem volupiando na mente dos safados urubus que sobrevoam e infestam Brasília!!
Viva a depreciação da cultura, do fazer artístico nacional!!
E viv... Ops... Muitos “vivas” para um só post... Pois é, como você vê: estamos no melhor dos mundos.

Bem-vindo!"



P.s: Post originalmente publicado em 10/2005. Hoje, graças às políticas de segurança do Google, não consigo recuperar a senha para administrar meu antigo blog.

27 de mar. de 2010

One plus one

You kissed
You told me
Is it true you hold me?

I hope it is so
To let it grow
I need a yes
Not maybe or just
Not considering I must
A step that goes to the next

One plus one = one
One plus one = 3
Or maybe more
One more

Would it be?
Would you give me?
Would I have to buy?
Would I get "none" before I die?

30 de jan. de 2010

A piece of writing

I’m a Lion
Roaring alone in the deep forest
A bear chasing food
A bird in a cage
A mocking bird in silence
A Robin without wood

A serpent creeping for no attack
A Miró painting in black
A sparrow flying over the swamp
A ladybug in the mud, in the mud, in the mud…

There goes Ms “I have no voice”
There goes Ms “give me some space”
Out of reach, out of me, out of place